Não foi uma noite mágica e, sim, louca. Um drama que parecia impensável apareceu no Maracanã. Mas o Flamengo conseguiu a classificação para as semifinais da Libertadores, após empatar por 1 a 1 com o Independiente Del Valle.
O placar, por si só, parece "normal", mas esconde um drama que deixou o time à beira de uma noite que poderia ter sido de terror em casa.
Arrascaeta, com o gol, e Rossi, com um chutão que virou assistência, foram os heróis em uma jogada improvável. Ela serviu para acalmar os ânimos já aos 38 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo tinha perdido Jorginho expulso e via os equatorianos pressionarem.
O que ajudou, ao fim das contas, foi o placar de 2 a 0 no jogo de ida, na altitude de Quito.
O Del Valle teve Reasco como candidato a carrasco rubro-negro, quando ele fez 1 a 0.
Mas o goleiro Quintana cometeu a trapalhada que evitou drama maior ao ainda nos minutos finais do jogo. Ele foi encoberto pela bola depois de um chutão de Rossi, e aí Arrascaeta tocou para o gol vazio e empatou o jogo. Foi a confirmação da classificação.
O Flamengo agora encara o Estudiantes na semifinal da Libertadores. Os jogos serão nas semanas de 13 e 20 de outubro. A ida é na Argentina. A volta, no Maracanã.
O Fla volta a campo no domingo, contra o Red Bull Bragantino, também no Maracanã, pelo Brasileirão.
Jogo esquisito
Parecia que seria tudo bem. Uma noite amena, diante da vantagem de 2 a 0 na ida.
Mas o primeiro tempo do Flamengo foi para esquecer. Um fantasma de noites traumáticas de Copa que o torcedor achou que já tinha exorcizado.
Como postura, o time até tomou as rédes do jogo, mas tecnicamente as coisas não estavam fluindo. Muitos erros de passe, poucas chances criadas e a sensação de um time travado — embora ficasse muito mais com a bola no pé.
Bruno Henrique teve uma chance cara a cara com o goleiro, depois de arrancar em velocidade. Sozinho. Mas perdeu de forma inacreditável. A letalidade do Flamengo realmente tinha ficado no jogo de ida.
Os problemas técnicos continuaram e ficaram mais graves no outro lance capital do primeiro tempo. O problema é que foi contra o Flamengo.
Léo Pereira deu um bote totalmente errado. Com a defesa aberta, veio o passe em profundidade que parecia estar controlado por Ayrton Lucas. Não estava. A jogada acelerada em cima do lateral resultou em uma finalização cruzada, rebote de Rossi e gol do Independiente Del Valle.
Reasco foi o algoz da vez, aos 30 minutos do primeiro tempo.
O Del Valle nem precisou exercer uma pressão no campo de ataque, sufocar o Flamengo. Organizado, sim. Boa qualidade técnica, marcando firme. Mas, em última instância, era como se o time de Leonardo Jardim estivesse se afundando na própria areia movediça.
O clima no Maracanã deu uma azedada, sobretudo pela sequência de erros de passe e outras decisões equivocadas do Flamengo na fase ofensiva.
O time saiu para o intervalo sob vaias.
E o segundo tempo?
Leonardo Jardim optou por não mexer no time de cara. A torcida tinha dado o recado da vaia, mas comprou o barulho do time e voltou para o segundo tempo apoiando.
Ao mesmo tempo que o Fla tentava se reencontrar e via brechas aparecer — uma jogada de Bruno Henrique na ponta foi exemplo disso —, passou a dar certos espaços e sustos.
Mas longe de ser aquela fluência do Flamengo. Aos 10 minutos, Jardim mandou chamar Arrascaeta e Plata. As trocas vieram aos 13: Carrascal e Paquetá saíram. Não era meramente uma questão física.
Expulsão: caos
Só que as pretensões do Flamengo jogo mudaram completamente. O time conseguiu criar para si um cenário de crise que parecia impensável. O motivo? A expulsão de Jorginho pelo segundo cartão amarelo, aos 19 minutos do segundo tempo.
O que era para ser uma proposta de controle virou um perrengue para se defender das bolas que passaram a passar rasantes na frente do gol de Rossi.
Na reorganização tática com um a menos, sobrou para Bruno Henrique, que deu lugar a Saúl.
Drama ativado
A primeira mexida no Del Valle foi para aproveitar um Flamengo encurralado. Reasco saiu para dar lugar a Yandri Vásquez, centroavante de 1,87m. A meta era aproveitar da presença de área.
Por centímetros, não deu certo aos 32 minutos. O time equatoriano teve um gol anulado corretamente por impedimento. E seria de quem? Vásquez.
A arquibancada percebeu que o time precisava de um impulso a mais. Acordou de vez para tentar ganhar o jogo no grito, já que em campo estava difícil.
O gol improvável
Só que para um enredo improvável veio um gol improvável. Do Flamengo.
A origem? Um chutão de Rossi que quicou, enganou e encobriu o goleiro. Quem cabeceou diante do gol vazio para aliviar a nação rubro-negra? Arrascaeta, já aos 38 minutos do segundo tempo.
A comemoração do banco com Rossi deu o tom do alívio e do grau de loucura da jogada. Ao fim das contas, o empate impediu o que poderia ter sido uma noite traumática no Maracanã.
Agora, que venham as semifinais.
Ficha técnica
Flamengo 1 x 1 Independiente Del Valle
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data/Hora: 17/9/2026, às 21h30
Árbitro: Andrés Matonte (URU)
Assistentes: Carlos Barreiro e Mathias Muniz (URU)
Cartões amarelos: Paquetá, Jorginho, Pulgar (FLA); Carabajal (IDV)
Cartão vermelho: Jorginho (20'/2ºT)
Gols: Reasco, 30'/1ºT (0-1); Arrascaeta, 38'/²ºT (1-1)
Flamengo: Rossi, Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Paquetá (Arrascaeta); Carrascal (Plata), Samuel Lino (Varela) e Bruno Henrique (Saúl). Técnico: Leonardo Jardim.
Independiente Del Valle: Aldair Quintana, Daykol Romero, Carabajal, Schunke e Loor; Hugo Quintana, Alcívar e Sornoza; Pata (Góngora), Perelló (Briones) e Reasco (Yandri Vásquez). Técnico: Joaquín Papa.
Fonte: Uol

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