A vaga vascaína veio em uma noite inspiradíssima de Brenner: ele não marcava há 14 jogos, desde 14 de abril. Hoje, fez dois gols, sendo o primeiro um chutaço de fora da área. No Flu, quem diminuiu foi Martinelli, mas o ímpeto nos minutos finais foi insuficiente. Para completar, Puma Rodríguez decretou o resultado já no instante final do clássico.
Brenner nunca tinha caído nas graças da torcida vascaína. A atuação diante do Flu, no entanto, pode dar início a capítulos mais amenos na relação com a arquibancada.
Ao eliminar o tricolor no mata-mata, o Vasco repete o que aconteceu nas semifinais da Copa do Brasil do ano passado. Só que desta vez, como o jogo de ida foi 0 a 0, não precisou dos pênaltis. O adversário da próxima fase será conhecido na terça-feira, em sorteio na CBF.
Para o Fluminense, o gosto amargo de cair mais uma vez para o rival coloca mais pressão sobre o time de Zubeldía para o mata-mata da Libertadores, semana que vem. E olha que o time vive uma estagnação no Brasileirão, apesar de ainda estar no G4.
Para o Vasco, vem a perspectiva de fazer uma campanha positiva na Copa do Brasil mais uma vez — ano passado, o time foi vice-campeão. Só que a preocupação no Brasileiro segue vive: os vascaínos estão na zona de rebaixamento.
O Vasco volta a campo domingo, contra o Bahia, fora de casa, às 16h. Já o Flu tem outro clássico pela frente: pega o Botafogo, no Nilton Santos, sábado, às 21h.
Domínio vascaíno
O Vasco sobrou no primeiro tempo, e a vantagem construída com o chutaço de Brenner trouxe justiça ao que se viu durante os 34 primeiros minutos de jogo.
O time de Pedro Emanuel parecia em rotação acima do de Zubeldía. O ambiente na arquibancada também deu ao Maracanã uma cara mais vascaína — apesar do mando ser tricolor na volta.
O Vasco dominou o meio-campo: estava ligado, compacto, buscando alternativas e jogadas em velocidade. Enfim, cumpriu o checklist de como se sair bem em um clássico no mata-mata.
Em termos de chances, Thiago Mendes teve a primeira logo aos dois minutos, mas mandou a finalização na área por cima. Não houve um número tão alto de finalizações. Mas o Vasco jogou praticamente no campo de ataque.
Depois, lá aos 34 minutos, veio a pintura de Brenner. A bola veio de Thiago Mendes, e o atacante bateu bonito de canhota. A bola foi por cima de Fábio, que não teve chance de tocar na bola.
O antídoto contra a reação
O Fluminense saiu mais da toca depois que tomou o gol. Tentou se lançar à frente, mas a engrenagem do time estava muito mal. John Kennedy, especialmente, falhou em momentos cruciais, que poderiam ter mudado a história do jogo.
Ainda no primeiro tempo, ele teve chance de uma finalização chapada na estrada da área, mas bateu fraco no cando. No segundo tempo, quando o Fluminense já tinha mudado de esquema, tentou um corta-luz inacreditável, desperdiçando passe açucarado de Guga.
O início do segundo tempo parecia que traria um Fluminense diferente. Zubeldía sacou Savarino e colocou Nonato. Mudou o esquema do 4-2-3-1 para o 4-4-2, com JK e Canobbio mais centralizados. A torcida se assanhou e sentiu que poderia se animar mais.
Só que apareceu o antídoto do Vasco. Quem? Brenner, logo aos seis minutos da etapa final. Uma bola em velocidade pela direita resultou no cruzamento rasteiro de Andrés Gómez. Na área, um toque e mais um gol do artilheiro da noite: 2 a 0.
Ataque 'novo' e vaga no sufoco
Depois da troca de esquema frustrada, Zubeldía tentou dar vida nova ao Flu com as entradas de Ganso, Cano e Hulk. As idades? 36, 38 e 40 anos, respectivamente.
Em nome da vitalidade na frente, Pedro Emanuel respondeu tirando o herói da noite. Brenner saiu para dar lugar a David. Ao mesmo tempo, Tchê Tchê deu lugar a Ramon Rique, de 18 anos.
Hulk aos poucos foi aparecendo mais no jogo. Até que ele recebeu de Matinelli pela direita e mandou para a área. O próprio volante apareceu para diminuir o placar para o Fluminense e trazer nova cara para o jogo, aos 33 minutos da etapa final.
Ainda tinha tempo. E a torcida tricolor voltou a acreditar. Zubeldía até botou Soteldo no lugar do lateral-esquerdo Arana.
Mas o Vasco conseguiu esfriar o jogo nos minutos subsequentes. Por vezes à base de chutão, bolas esticadas e desaceleração de contra-ataque. O espaço para o cruz-maltino atacar foi tanto que, no último lance, veio o gol derradeiro: 3 a 1, com Puma Rodríguez.
Ao fim das contas, apesar do susto, o enredo de levar a melhor sobre o rival se repetiu. E lá foi o Vasco rumo às quartas de final da Copa do Brasil.
Ficha técnica
Fluminense 1 x 3 Vasco
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data/Hora: 5/8/2026, às 21h30
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO)
Assistentes: Bruno Boschilia (Fifa-PR) e Leone Carvalho Rocha (GO)
Cartões amarelos: John Kennedy, Ganso (FLU); Jair, Léo Jardim, Cuiabano, Andrés Gómez (VAS)
Gols: Brenner, 34'/1ºT (0-1) e 6'/2ºT (0-2); Martinelli, 31'/2ºT (1-2); Puma Rodríguez, 54'/2ºT (1-3)
Fluminense: Fábio, Guga, Ignácio, Igor Rabello e Guilherme Arana (Soteldo); Hércules, Martinelli e Lucho Acosta; Canobbio (Hulk), Savarino (Nonato) e John Kennedy (Cano). Técnico: Luís Zubeldía.
Vasco: Léo Jardim, Paulo Henrique, Cuesta, Robert Renan e Cuiabano; Jair (Barros), Tchê Tchê (Ramon Rique) e Thiago Mendes; Nuno Moreira (Adson), Andrés Gómez (Puma) e Brenner (David). Técnico: Pedro Emanuel.
Fonte: Uol

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