Capixaba vai representar 200 mil cafeicultores na COP30
No Brasil, 24 cooperativas e associações de café possuem a certificação Fairtrade, reunindo mais de 3 mil produtores.
Carlos Renato Alvarenga Theodoro, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Espírito Santo (Cafesul), sediada em Muqui, participará do evento representando a Rede de Café da Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos(as) Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comércio Justo (CLAC). A entidade reúne organizações certificadas pelo Fairtrade (Comércio Justo), reconhecido mundialmente por promover relações comerciais éticas e sustentáveis.
No Brasil, 24 cooperativas e associações de café possuem a certificação Fairtrade, reunindo mais de 3 mil produtores. Já a CLAC representa cerca de 200 mil cafeicultores de 10 países. A missão de Carlos Renato na COP30 é buscar soluções que ajudem a mitigar os efeitos das mudanças climáticas na cafeicultura, além de identificar práticas inovadoras que possam ser aplicadas nas lavouras brasileiras.
Segundo ele, um estudo recente da CLAC aponta que a elevação das temperaturas e as alterações no regime de chuvas já afetam diretamente a produção de café, exigindo ações urgentes de adaptação. “Apresentarei o Manifesto CLAC, destacando a importância dos produtores Fairtrade como protagonistas no combate às mudanças climáticas. É essencial que a voz desses mais de 200 mil cafeicultores seja ouvida nas discussões globais sobre sustentabilidade”, afirmou o presidente da Cafesul.
Entre as principais iniciativas da CLAC está o Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas (PDA), desenvolvido em parceria com a Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR). O projeto define estratégias e práticas para fortalecer a resiliência climática nas propriedades certificadas, levando em conta aspectos sociais, culturais, econômicos e ambientais de cada região.
Essas ações já apresentam resultados positivos, como maior estabilidade produtiva, preservação ambiental e fortalecimento da agricultura familiar.
Na Cafesul, por exemplo, o trabalho de preservação ambiental é uma realidade. Antigas áreas degradadas foram reflorestadas, nascentes recuperadas e o incentivo à produção orgânica tem crescido. Hoje, dez propriedades da cooperativa produzem café orgânico, exportado principalmente para Suíça e Alemanha, com demanda crescente também no Canadá.
Carlos Renato destacou que a cooperativa busca ampliar o número de produtores orgânicos para atender à procura internacional. “Oferecemos suporte técnico completo aos cafeicultores que desejam migrar para a produção orgânica. Como somos certificados pelo Fairtrade, cada saca de café orgânico rende cerca de R$ 300 a mais, além de bônus pela qualidade, o que agrega valor e melhora a renda das famílias”, ressaltou.
Com a participação na COP30, o líder capixaba espera fortalecer o protagonismo dos pequenos produtores e contribuir para a construção de uma cafeicultura mais sustentável e preparada para os desafios climáticos do futuro.
Fonte: Aqui Notícias

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